Gramática Normativa, funciona?

Escrever
é tarefa perigosa, mesmo para quem conhece as convenções da escrita e os mais
sutis caminhos que levam ao “certo” ou ao “errado”.
Do ponto de vista pedagógico, perante os
solecismos que se cometem em vários tipos de textos, ainda existem uns poucos
professores “gramatiqueiros” que defendem o ensino da língua como transmissão e
fixação das regras.
A tendência atual, porém, é bem outra, para não
dizer totalmente oposta. Muitos professores põem à parte a gramática normativa,
alguns por considerá-la um fardo muito pesado para colocar nos ombros dos
alunos, outros porque a desconhecem. Segundo estudiosos, quem não respeita essas
regras não está propriamente falando errado, apenas não esta obedecendo à
gramática normativa.
A gramática utilizada há 70 anos é pouco diferente
da utilizada nos textos atuais, já que em Português, adotamos o sistema
ortográfico aprovado em 1943 que, desde então, vem sofrendo pequenas alterações
como as que estamos vivenciando em 2009. Os mesmos estudiosos ainda definem que
de tempos em tempos, as palavras são ajustadas de acordo com objetivos diversos
no intuito de tornar a escrita mais lógica.
Evitemos
ser professores “gramatiqueiros”, mesmo porque já está demonstrado que a
gramática, sozinha, não nos ensina a escrever e falar corretamente. Afinal,
quem nunca ficou espantado ao receber um e-mail intitulado Pérolas do Enem? Ex:
A diferença entre um leão e uma
pomba é que a pomba voa e o leão não, mas como o leão ele é o rei ele mata a
pomba por que ele é foda afinal ele é um leão..”.

 

Um professor que queira ensinar gramática (e dela
não podemos nos livrar, como não nos livramos de um guia de ruas ou de uma bula
de remédio), uma vez que os alunos continuam necessitando comprovar sua
competência gramatical em vestibulares, concursos e nas mais variadas provas de
seleção, terá, ao nosso ver, que abandonar a idéia e a prática de um ensino que
se traduz em enumerar regras, oferecer dicas, corrigir aqui e ali.

 

Os melhores alunos de gramática, ou serão sempre
uns poucos vocacionados (sempre existirão gramá-ticos, como existem
especialistas em formigas), ou serão aqueles alunos que gravam as regras para
uso imediato e as apagam da memória depois de terem passado no vestibular ou em
algum concurso, ou serão alunos que lêem com freqüência, lêem bons livros,
livros bem escritos e, como que por osmose, aprenderam a conjugar verbos, não
tropeçam na pontuação, têm um bom desempenho ortográfico, empregam a crase
acertadamente, mesmo que não saibam explicar, tecnicamente, o porquê disso ou
daquilo.
Talvez, dar uma atenção a esse campo e analisar
que influência o ensino de gramática tem nos alunos, e até mesmo professores,
pode ser o ponto de partida para a construção de uma metodologia que venha a
atender às necessidades dessa
área de ensino. E claro, para que a gramática venha a ser utilizada e
valorizada, já que nos demos o trabalho de construí-la e, agora recentemente,
modificá-la.
 

 

 

Por : Allan Ramos – Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Química – IFSC

 

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